Social Icons


sábado, 13 de setembro de 2014

O balconista

 O balconista

“Só porque eles te servem, não significa que eles gostam de você”.

Essa frase dita no cartaz original nos mostra bem o que esse filme e seus personagens são.





O que esperar de um filme independente de 1994, filmado em preto em branco, tom teatral, passado inteiro numa loja de conveniência, com diálogos e situações que são verdadeiras odes ao nerdismo, e vão do tocante ao bizarro? Um filme cru e sincero sobre o começo da vida adulta? Um filme sexista cheio de palavreado baixo , mas, ao mesmo tempo, que nos uma visão fria, porém sincera e sentimental das relações humanas.  Ora, senão é uma das melhores comedias já feitas!

Dante Hicks (Brian O’Halloran) , o personagem central O Balconista, trabalha numa loja de conveniência em Leonardo, New Jersey. Deveria ser seu dia de folga, mas um colega está doente e ele tem que cobrir o expediente, o que estragou seu jogo de hockey à tarde. .Alguém colocou chiclete na fechadura da vitrina da loja, fazendo-o colar  por cima um cartaz escrito que estavam abertos e ficar com  cheiro da graxa que usou para escrever o cartaz pelo resto do dia.

No mesmo dia, Dante acaba descobrindo que sua ex-namorada irá se casar com outro, outra ex faleceu e ele ainda tem sérios problemas com a atual, pois descobre que ela só dormiu com quatro caras na vida (incluindo ele), mas fez sexo oral com trinta e oito (incluindo ele). Fora isso, ele enfrenta um dia no trabalho no qual, a cada hora que passa, encontra pessoas mais bizarras, irritantes, e que criam situações surreais e cômicas, mas que parecem ser recorrentes em sua vida.

Esse dia, de extrema má sorte é o que iremos acompanhar neste engraçado filme. Cada vez que mais coisas acontecem com Dante, mas cativados ficamos com o filme e mais engraçada a coisa fica.

Personagens estranhíssimos, que vem e vão, são constantes aqui, como o maluco que faz de tudo para encontrar a dúzia perfeita nas caixas de ovos, ou o vendedor de chiclete que faz um levante antitabagista.

Mas talvez a cereja do bolo seja Randal Graves( Jeff Anderson), o melhor amigo de Dante e que trabalha na videolocadora ao lado. Talvez o melhor personagem do filme, é uma maquina de soltar tiradas ácidas aos fregueses chatos que aparecem. Maltratando-os de forma cruel, mas, ao mesmo tempo, engraçada.

  O filme se movimenta muito pelos diálogos dos personagens e suas consequências.  Algo meio teatral em certos momentos, como um que Dante tem com uma de suas namoradas. Em muitas cenas, a câmera fica parada lá, apenas deixando os atores fazerem seu trabalho e os diálogos ditarem o tom da ação.

Misturando relacionamentos e a vida de trabalho com um segredo obscuro no filme O retorno de Jedi, e ate pornô com hermafroditas Sim, as conotações sexuais e palavrões são constantes no filme, por isso, já fique avisado, se você for alguém que goste de mimimi. Mesmo não mostrando nenhuma nudez e sua única (e bizarra) cena de sexo não seja exibida, o filme não tem medo de pegar pesado no clima quando necessário. Apesar de que é tudo tão bizarro e circunstancial que você vai acabar rindo, como rola com Napoleon Dynamite ou Superbad.

 Aliás, O Balconista é considerado um dos pais das comédias nonsense (o chamado besteirol ), que ficaram mais famosas nos anos 90, mas já eram feitas muito tempo. A diferença é que aqui, apesar das besteiras de sempre, ainda temos um pouco de inteligência comandando a coisa.

 Alguns atores nunca tinha atuado na vida, e isso é meio perceptível na tela. Mas, ao mesmo tempo, todos estão tão à vontade nos papéis que tudo soa natural. Por exemplo, a relação entre Dante e Randal, parece mesmo que eles são amigos de longa data!

 Balconista é o perfeito retrato da juventude que entrou na idade adulta sem saber o que fazer, aquela geração que tem empregos e estudo, mas que realmente parece não querer ir para lugar nenhum. Se você assiste esse filme no clima e idade certa vai se sentir estranhamente familiarizado.

  E como representação da juventude ávida por drogas e sexo, temos os antológicos personagens de Jay e Silent Bob, interpredados, respectivamente, por Jay Mewes e pelo próprio Kevin Smith. Os personagens, dois traficantes que ficam parados na frente da loja, ficaram famosos e participaram de outros filmes do diretor, até ganhar seu filme próprio O Império do Besteirol Contra Ataca.

Ah, bom lembrar que alguns filmes do Kevin Smith se passam no mesmo “mundinho”, o chamado  Askewniverse. Por isso é normal ver personagens ou situações sendo citadas ou aparecendo em outros filmes posteriores

O balconista foi o primeiro filme de verdade do diretor americano Kevin Smith, gordinho barbudo e eterno nerd. Bancado de maneira independente e gravado na loja onde ele trabalhava. Aliás, dizem que o diretor precisou vender a coleção pessoal de quadrinhos para ter grana para gravar. Foi o que levou ele a ser conhecido e abriu portas para ele. 

A experiência pessoal de Kevin Smith fez o resultado soar muito familiar a todos que trabalham (ou trabalharam). E até mesmo se você nunca trabalhou como balconista, pode acabar curtindo o filme.

Uma curiosidade, é que mesmo com uma mensagem totalmente contra o tabaco, como numa das primeiras cenas, Kevin Smith acabou ficando viciado em cigarros depois desse filme. 

Infelizmente até agora o filme só foi lançado em VHS no Brasil, mas vale a pena pegar a edição em blu-ray lançada lá fora. E o melhor de tudo: tanto o filme quanto os vários e interessantes extras estão legendados em português do Brasil!

Por isso, vá e assista.



Um comentário:

 
Blogger Templates